27 julho 2009

Filme: Paris

Como cozinha também é lugar de conversa, vou aproveitar para contar de um filme que vi na semana passada. O nome é Paris, do diretor Cédric Klapisch (o mesmo do Albergue Espanhol), com a Juliette Binoche. Todos franceses, obviamente. Eu adorei. Gosto muito de filmes que são um recorte da vida, que contam casos, sem necessariamente chegar a lugar nenhum. Aliás, essa história de ter um desfecho em que tudo se resolve é coisa de Hollywood. Na vida, pelo menos na minha, tudo está em movimento. Eu não tenho a sensação de cruzar uma linha de chegada já faz um bom tempo.

Engraçado que o filme começa justamente com isso: um dançarino recebe a notícia de que tem um problema gravíssimo no coração, não vai mais poder dançar e, provavelmente, vai morrer logo. Nessa luta pela vida / espera pela morte, ele e a irmã se aproximam. Paralelamente a isso, várias outras histórias, como a do professor que se apaixona pela aluna, dos feirantes que causam furor nas patricinhas e de camaroneses que imigram e emigram da França. Ah, a dona da padaria com suas classificações das funcionárias é impagável!

A fotografia também é muito boa. Várias cenas me provocaram pelo visual: luzes lindas à noite, enquadramentos muito plásticos, vistas aéreas quase inusitadas. Não vou falar mais senão pode estragar a surpresa. Vale assistir no cinema.

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Queijos


Sabe aquela história de que mulher vai às compras quando está triste? Então, descobri que comigo um supermercado cheio de produtos interessantes é fantástico para esses momentos. Fui jantar com uma amiga então comprei queijinhos para comermos com pãezinhos, torradas e cerejas! Cerejas de verdade, claro, suculentas, com a semente no meio - nada daquela massinha vermelha que mancha os bolos por aí.

Comprei um moosbacher austríaco (foto) e três franceses: um rambol (com nozes), um roquefort e um chèvre fresco. Eu adoro queijos! Ainda não sei tanto quanto gostaria sobre eles, mas vou falar algumas coisinhas que aprendi por aí.

Um queijo é um leite coagulado. Do começo: a vaca (ou a ovelha, ou a búfala, ou a cabra) produz uma substância branca que tem gordura, água e proteínas, basicamente. É o que chamamos de leite. A gordura está em minúsculas bolinhas envolvidas por uma camada de proteína, e por isso consegue ficar bem misturada na água.

O leite vira queijo quando se coloca coalho, algum fermento ou ácido. Essas substâncias impedem a proteína (caseína) de exercer sua função, que é manter as bolhas de gordura separadas entre si (e espalhadas pela água). Então a gordura toda se "aglutina" e se separa da água. Por isso o leite, quando está virando queijo, solta aquele soro que precisa ser drenado. Ah, vale lembrar que alguns queijos são feitos das proteínas que ficam diluídas nesse soro, como a ricota. Mas a maioria é feita com a parte gordurosa do leite mesmo.

Bom, cada queijo tem seu jeito de fazer (agitando, aquecendo etc...) e seu "bichinho" que ajuda a dar o gosto peculiar (fungos e bactérias, em geral). Vou comprar um livro sobre queijos, daí comento mais sobre cada tipo específico.

Mas voltando ao jantar com minha amiga. Eu adoro o roquefort, então ele não foi nenhuma surpresa. Ah, sabe uma diferença entre o gorgonzola e o roquefort - além de serem feitos com fungos diferentes? O gorgonzola é italiano, feito de leite de vaca; e o roquefort é francês e feito de leite de ovelha!

O chèvre é o famoso queijo de leite de cabra francês. Ok, existem vários tipos de queijo de leite de cabra, assim como o leite de vaca pode ser usado para fazer muzzarela, requeijão, ricota, os queijos Minas, Gorgonzola... ou seja, centenas de tipos de queijo. O chèvre que eu comprei dessa vez foi o chèvre fresco, segundo a embalagem - uma espécie de cream cheese. Eu nunca tinha comido e me pareceu quase uma coalhada. Tem um pouco do gosto azedo do iogurte e a consistência bem mole. Eu particularmente não gostei muito para comer só com torradas, prefiro o chèvre mais comum (aqui no Brasil chamam de Boursin, apesar do Manual Enciclopédico do Queijo dizer que o Boursin é feito com queijo de vaca - vai entender...). Talvez esse chèvre fresco fique bom com um dos pratos indianos que eu adoro - como "molho" para os bolinhos de batata recheados de carne moída picante e temperada....

O Rambol também foi um pouco frustrante. Muito doce. Tudo bem que eu vi que tinha nozes, mas esperava só um leve toque, não um gosto tão dominante.

E o moosbacher austríaco foi uma boa surpresa. Ele tem uma capa preta engraçada. É um queijo mais duro, mais amarelo, mais parecido com o parmesão - um pouco mais leve. Poderia ser mais picante, ficaria melhor. Mas salvou a noite, junto com o Roquefort.

E que loucura foi essa de comprar cerejas pra comer junto? Elas estavam tão aguadas que deixaram o estômago estufado quando se misturavam ao queijo, que é bem mais gorduroso. Da próxima vez vou voltar pras uvas thompson mesmo. Mas só um pouquinho...

Ah, e se alguém souber de um lugar bom para comprar queijos em São Paulo, que tenha bastente variedade, eu agradeço a dica! ;-)

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25 julho 2009

O bolo de nozes

Uma vez, fiz um bolo de nozes que deixou dona Manu super feliz! Me inspirei numa receita que estava no site da revista Ana Maria, mas mudei algumas coisas, então acho que vale repetir aqui. Nossa, adoro esse bolo!

Bolo de nozes das Anas (da Ana Maria e meu - risos)

- 150g de manteiga (dê aquela derretidinha, pode ser uns segundos no microondas)
- 1 xíc de açúcar
- 3 ovos (separe a clara e a gema)
- 2 colheres de raspas de casca de laranja
- 3/4 xíc de suco de laranja
- 1/2 xíc de farinha de rosca
- 1 xíc de farinha de trigo
- 1 maçã ralada (já pode misturar no suco de laranja para não ficar preta)
- 1 colher pequena de fermento em pó
- 1 xíc de nozes trituradas

1. Unte a forma (das médias) e ligue o forno médio.

2. Faça a clara em neve. Reserve.

3. Bata bem a manteiga, o açúcar e as gemas. Continue batendo e coloque aos poucos a raspa de laranja, o suco de laranja e as farinhas. (eu bato sempre à mão, mas pode usar a batedeira)

4. Misture a maçã (batedeira desligada!), a clara em neve, o fermento e as nozes. Coloque na forma e no forno! Demora uns 45 minutos para ficar no ponto.


* Enquanto o bolo assa dá tempo de fazer o recheio. O que eu mais gosto é uma espécie de brigadeiro de nozes que eu faço no microondas mesmo. Coloco num pirex bem alto para não derramar, porque vai ferver bastante...

- 1 e 1/2 lata de leite condensado
- 1 colher de manteiga
- 1 xíc de nozes (quebradas grandinhas)
- um pouco de coco ralado, se quiser

Daí é só colocar 4 minutos no micro. Quando acabar, mexa um pouco e coloque mais 30 segundos. Quando acabar de novo, misture 1/2 lata de creme de leite sem soro. Vai ficar mais molinho que o brigadeiro (sem o creme de leite também é gostoso, mas fica meio grudento depois). ;-)

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Finalmente, as beringelas! No azeite, claro!

Tento fazer beringelas há anos. Já cozinhei na penela com água, já assei no forno, cozinhei na panela com água e vinagre... Já tirei antes o líquido amargo da beringela fatiando e colocando sal e um peso em cima... Já "cozinhei a frio" só no vinagre...  Algumas ficaram gostosas - essa a frio no vinagre é ótima, quando consigo tirar o excesso de ácido depois. Mas cheguei à conclusão de que o mais simples funciona melhor. Então cheguei a essa que vou chamar de "minha receita de beringela".

Ah, só para adiantar: eu gosto de beringela na conserva de azeite, pra colocar na salada, no macarrão ou comer com pãozinho (ciabatta quente e levemente crocante é tudo!). Essa que eu fiz agora fica ótima só com o pão, ou com pão, nozes e pasta de ricota (ricota amassada com sal e um pouco de azeite pra dar liga). Claro que a ricota pode ser substituída pelo chancliche, depende da sua vontade ($). E tudo isso pode ir também na salada ou no macarrão.

Bom, vamos então à receita de beringela (só para avisar, beringela é português do Brasil e berinjela é português de Portugal...):

Beringela da Ana

- 2 beringelas grandes
- 1/4 de pimentão vermelho fatiado fino
- 1/4 de pimentão amarelo fatiado fino
- 3/4 xic de azeitonas fatiadas
- 1 dente de alho picado fininho (se o dente for pequeno, coloque 2)
- umas 5 folhinhas de salsinha (não sou tão fã assim, dá para tirar...)
- uma pimentinha vermelha fatiada (a que vc gostar, se vc gostar)
- sal se necessário

(variações: às vezes substituo a azeitona por alcaparras, às vezes coloco folhas de menta / hortelã para ficar mais refrescante, dá para colocar também erva doce picadinha - cuidado, ela domina um pouco - ou seja, essa receita é só um guia para a sua criatividade!)

1. Pegue as beringelas e tire o excesso de casca (eu tiro metade da casca, alternando faixas com casca e sem casca).

2. Fatie as beringelas longitudinalmente. Em geral, corto fatias com 0,5 cm a 1 cm de espessura. Corte essas fatias transversalmente também, senão ficam muuuito compridas.

3. Aqueça uma chapa, grelha ou uma frigideira levemente untada com óleo. (Eu só passo o óleo com papel absorvente, nada de deixar gotas ou pocinhas de óleo por aí...) Coloque quantas fatias de beringela couberem. Deixe "grelhar". Cuidado, é rapidinho: se a fatia ficar transparente é porque está queimando (ou a fatia tá muito fina).

4. Vire do outro lado e deixe dourar também.

5. Tire da chapa e coloque num pirex de vidro com um pouco de azeite e um pouco dos outros ingredientes - pimentão, alho, azeitona, salsinha e pimenta.

6. Continue grelhando as beringelas (unte de novo com óleo se a grelha estiver muito seca) e completando o pirex com azeite e os outros ingredientes até acabarem as fatias de beringela. Hum! agora é só comer!

Se depois o pirex ficar bem fechadinho, dá para conservar por bastante tempo. Na verdade, nunca demorou mais de uma semana para acabar, então bastante tempo é uma semana... Eu deixo no armário mesmo, não coloco na geladeira, senão o azeite endurece e forma uma espécie de manteiga amarelada. Daí tem que esquentar no microondas e perde toda a graça.

Bom apetite!

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