Queijos

Sabe aquela história de que mulher vai às compras quando está triste? Então, descobri que comigo um supermercado cheio de produtos interessantes é fantástico para esses momentos. Fui jantar com uma amiga então comprei queijinhos para comermos com pãezinhos, torradas e cerejas! Cerejas de verdade, claro, suculentas, com a semente no meio - nada daquela massinha vermelha que mancha os bolos por aí.
Comprei um moosbacher austríaco (foto) e três franceses: um rambol (com nozes), um roquefort e um chèvre fresco. Eu adoro queijos! Ainda não sei tanto quanto gostaria sobre eles, mas vou falar algumas coisinhas que aprendi por aí.
Um queijo é um leite coagulado. Do começo: a vaca (ou a ovelha, ou a búfala, ou a cabra) produz uma substância branca que tem gordura, água e proteínas, basicamente. É o que chamamos de leite. A gordura está em minúsculas bolinhas envolvidas por uma camada de proteína, e por isso consegue ficar bem misturada na água.
O leite vira queijo quando se coloca coalho, algum fermento ou ácido. Essas substâncias impedem a proteína (caseína) de exercer sua função, que é manter as bolhas de gordura separadas entre si (e espalhadas pela água). Então a gordura toda se "aglutina" e se separa da água. Por isso o leite, quando está virando queijo, solta aquele soro que precisa ser drenado. Ah, vale lembrar que alguns queijos são feitos das proteínas que ficam diluídas nesse soro, como a ricota. Mas a maioria é feita com a parte gordurosa do leite mesmo.
Bom, cada queijo tem seu jeito de fazer (agitando, aquecendo etc...) e seu "bichinho" que ajuda a dar o gosto peculiar (fungos e bactérias, em geral). Vou comprar um livro sobre queijos, daí comento mais sobre cada tipo específico.
Mas voltando ao jantar com minha amiga. Eu adoro o roquefort, então ele não foi nenhuma surpresa. Ah, sabe uma diferença entre o gorgonzola e o roquefort - além de serem feitos com fungos diferentes? O gorgonzola é italiano, feito de leite de vaca; e o roquefort é francês e feito de leite de ovelha!
O chèvre é o famoso queijo de leite de cabra francês. Ok, existem vários tipos de queijo de leite de cabra, assim como o leite de vaca pode ser usado para fazer muzzarela, requeijão, ricota, os queijos Minas, Gorgonzola... ou seja, centenas de tipos de queijo. O chèvre que eu comprei dessa vez foi o chèvre fresco, segundo a embalagem - uma espécie de cream cheese. Eu nunca tinha comido e me pareceu quase uma coalhada. Tem um pouco do gosto azedo do iogurte e a consistência bem mole. Eu particularmente não gostei muito para comer só com torradas, prefiro o chèvre mais comum (aqui no Brasil chamam de Boursin, apesar do Manual Enciclopédico do Queijo dizer que o Boursin é feito com queijo de vaca - vai entender...). Talvez esse chèvre fresco fique bom com um dos pratos indianos que eu adoro - como "molho" para os bolinhos de batata recheados de carne moída picante e temperada....
O Rambol também foi um pouco frustrante. Muito doce. Tudo bem que eu vi que tinha nozes, mas esperava só um leve toque, não um gosto tão dominante.
E o moosbacher austríaco foi uma boa surpresa. Ele tem uma capa preta engraçada. É um queijo mais duro, mais amarelo, mais parecido com o parmesão - um pouco mais leve. Poderia ser mais picante, ficaria melhor. Mas salvou a noite, junto com o Roquefort.
E que loucura foi essa de comprar cerejas pra comer junto? Elas estavam tão aguadas que deixaram o estômago estufado quando se misturavam ao queijo, que é bem mais gorduroso. Da próxima vez vou voltar pras uvas thompson mesmo. Mas só um pouquinho...
Ah, e se alguém souber de um lugar bom para comprar queijos em São Paulo, que tenha bastente variedade, eu agradeço a dica! ;-)
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